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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Surgimento e conceito de Responsabilidade Social Empresarial

por Naone Garcia

Em seu livro “O Segredo de Luísa”, o autor Fernando Dolabela afirma que a expressão “responsabilidade social empresarial” (RSE) esconde um pleonasmo, pois qual outra intenção deve ter qualquer ação humana que não a de melhorar a vida das pessoas? A lógica do autor se ampara no sentido de que se uma empresa está sobrevivendo no mercado é porque ela está atendendo a uma necessidade humana, oferecendo um serviço ou produto, e assim já cumpre seu papel na sociedade.

Outros trabalhos e autores também defendem essa lógica liberal, usando como argumentos desde a questão corporativa – como agente dos acionistas, as empresas não tem o direito de fazer nada que não atenda ao objetivo de maximização dos lucros – até a questão institucional – existem outras instituições, tais como governo, igrejas, sindicatos e organizações sem fins lucrativos, para atuar sobre as funções necessárias ao cumprimento da responsabilidade social corporativa. [i]

Os críticos desse argumento entendem que o neoliberalismo se opõe ao bem-estar da sociedade e é um obstáculo à liberdade humana. Eles afirmam que o tipo de capitalismo praticado em muitos países em desenvolvimento é uma forma de imperialismo econômico e cultural, destacando que esses países normalmente têm menos proteção do trabalho e, portanto, os seus cidadãos estão em maior risco de exploração por empresas multinacionais.[ii]

Em 1953, é lançado nos Estados Unidos, o livro Social Responsabilities of the Businessman, de Howard Bowen, e o tema começa a receber atenção e ganhar espaço. Na década de 70, surgiram associações de profissionais interessados em estudar o tema: American Accouting Association e American Institute of Certified Public Accountants. É a partir daí que a responsabilidade social deixa de ser uma simples curiosidade e se transforma num novo campo de estudo. [iii]

Simultaneamente ao surgimento literário do conceito, protestos nos anos 60 e 70 (nos EUA) mostraram que a opinião pública olhava com ceticismo o interesse e o desempenho das empresas e do próprio governo no âmbito social, e a partir de então cresceu a percepção de que sem que houvesse uma pressão popular constante as empresas não estariam dispostas a enfrentar sérios problemas sociais. Dessa forma, a gestão coorporativa teve que contemplar também os interesses desses novos atores sociais (stakeholders), além daqueles de seus proprietários e/ou acionistas (shareholders). [iv]

É com o surgimento dessas novas demandas e maior pressão por transparência nos negócios que as empresas começam a se ver forçadas a adotar uma postura mais responsável em suas ações, surgindo assim a RSE, que é definida pelo Instituto Ethos como: “Forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais”. [v]

Ainda existem muitas críticas e ceticismo em relação ao conceito e ao papel da RSE na nossa sociedade, mas a questão é que seja por pressão popular, altruísmo dos sócios ou imposições governamentais, muitas empresas adotam hoje a responsabilidade social como parte de sua estratégia, e ela já se tornou uma realidade nas empresas do Brasil e do mundo, sendo que somente outra grande mudança cultural ou político-institucional faria com que esse movimento deixasse de existir.

A ideia desse artigo foi discorrer, de forma bem objetiva, sobre o surgimento e conceito de RSE. No próximo artigo escreverei mais especificamente sobre Investimento Social Privado, trazendo além do conceito, alguns números desse movimento no Brasil e no mundo.

Algumas das obras que serviram de referência nesse artigo:



[i] ASHLEY, P. A., COUTINHO, R. B. G., & TOMEI, P. A. Responsabilidade Social Corporativa e Cidadania Empresarial: Uma Análise Conceitual Comparativa. Anais do Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, Florianópolis-SC, Brasil, 24. Setembro, 2000.

[ii] McKibben, Bill Is Corporate Do-Goodery for Real? - http://www.motherjones.com/politics/2006/10/hype-vs-hope

[iii] BICALHO, Aline. 2003. Responsabilidade Social das Empresas: Contribuição das Universidades. São Paulo : Editora Peirópolis, 2003. p. 364. —. 2003. Responsabilidade Social das Empresas:Contribuição das Universidades. São Paulo : Editora Peirópolis, 2003.

[iv] RODRIGUES, M. C. P. Projetos Sociais Corporativos: Como Avaliar e Tornar essa Estratégia Eficaz. São Paulo: Atlas, 2010.

[v] O QUE É RSE. Instituto Ethos. Disponível em: www1.ethos.org.br/EthosWeb/pt/29/o_que_e_rse/o_que_e_rse.aspx> acessado em 15/10.

 

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