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Este blog explora insights para líderes empresariais, ONGs, acadêmicos, empreendedores sociais e outros atores que atuam na Base da Pirâmide.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O jargão da vez: Escalável

por Daniel Ferratoni

Mesquita Charminar, Hyderabad

Tive a oportunidade de participar do Fórum Khemka (Khemka Forum on Social Entrepreneurship), uma feira muito conceituada na Índia sobre negócios sociais. Foi sediada em Hyderabad, nos dias 7 e 8 de dezembro e contou com 200 participantes, entre pessoas que trabalham em negócios sociais, investidores, empreendedores e interessados no assunto.

A palavra que mais me chamou a atenção durante o fórum foi “escalável”. Está fazendo referência à facilidade de uma empresa ou start up ganhar escala. Muitas literaturas a colocam como chave de sucesso e na cabeça dos investidores, essa é a palavra de ordem, obviamente depois do objetivo principal que é o lucro. Na visão dos empreendedores, os principais objetivos são diferentes, sendo a auto sustentação do negócio e o impacto no social em si.

Cada um com o seu papel, no entanto, alguns pontos me fizeram refletir. O primeiro é todos os negócios sociais são ou devem ser escaláveis? Será que todo negócio social precisa crescer, expandir ou se multiplicar? Ou esses são paradigmas das atuais corporações que buscam maximizar o lucro com aumento de escala e a consequente redução de custo?

 Não acredito que seja a chave de sucesso para um negócio social, pois se este melhora a vida das pessoas no sentido de ajudá-las a sair da zona da pobreza, atuando no sentido de suprir suas necessidades, como acredito que seu propósito deve ser, e consegue ser autossuficiente com salários dignos aos funcionários e dentro da lei, por que esta não pode ser considerada um sucesso?

 Se a escala vier como uma consequência e a empresa sentir que consegue administrar sem prejudicar as outras vertentes do negócio, ótimo, mas caso contrário, esta não está fadada a ser um fracasso. Acho que a palavra escalável está muito mais associada com uma visão quantitativa, em que mais é melhor, segundo a definição: “Que se exprime em função de uma escala de grandezas”. Mas e a qualidade do serviço e produto que está sendo comercializado?

 Acredito que se o objetivo de se ampliar um negócio é atingir mais pessoas, esse pode ser feito de diversas maneiras, desde servir de inspiração, até o “open source” onde empresas não patenteiam suas descobertas e até ensinam como copiá-las.

Além disso, não podemos esquecer que o público-alvo desses negócios são pessoas na base da pirâmide, ou seja, pessoas que se encontram economicamente instáveis e são muito vulneráveis a qualquer pequena mudança.

Isso me fez pensar: será que queremos criar grandes corporações sociais nas mãos de poucos, ou fazer que o negócio social seja algo que todos possam ter? Será que queremos que os negócios sociais sejam algo complexo e difícil de ser copiado ou algo simples que qualquer indivíduo possa ser um empreendedor?

Há espaço para todo mundo, em um modelo novo com muitas definições e poucas conclusões. Acredito na essência de uma intenção de ajudar o próximo, seja retirando um dividendo modesto ou o lucro sendo inteiramente reinvestido, porém é preciso sempre tomar cuidado para não usar a base da pirâmide como um meio de obter mais ganhos, e sim como uma maneira de melhorar a vida das pessoas.

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