<%=NBResource_01_01 %>

Nossos escritores e editores oferecem ideias sobre as últimas notícias, eventos, entrevistas e acontecimentos do universo do desenvolvimento através dos negócios. Todos os posts do NextBillion estão listados aqui e podem ser ordenados por data.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O desafio da inclusão financeira no Brasil

por Guilherme de Almeida Prado

Nota da editora: este artigo foi originalmente publicado no blog Inclusão Financeira e é replicado pelo NextBillion Brasil com autorização do autor.

~~

Na maior parte dos países em desenvolvimento, o desafio da inclusão financeira tem relação com o baixo número de agências bancárias e a pequena difusão de serviços financeiros. No Brasil, no entanto, a situação é diferente. Por aqui, os 5.571 municípios existentes possuem canal de distribuição de produtos financeiros, sendo que apenas 4% são atendidos por correspondentes bancários. Além disso, um dos serviços de internet banking mais avançados do mundo está aqui.

Se os serviços estão disponíveis para todos, o que dificulta a inclusão financeira no Brasil? Sem dúvida, uma educação financeira ineficiente.

De acordo com o Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF) de 2011, 27% dos brasileiros com idade entre 15 a 64 anos são analfabetos funcionais. Ou seja, mais de um quarto da população não lê textos de média extensão, não realiza operações matemáticas com sequências simples, não entende o conceito de proporcionalidade e tem dificuldade para localizar informações. E os problemas não acabam aí: 47% das pessoas nessa faixa etária têm alfabetização básica. Isso significa que elas não interpretam problemas envolvendo percentuais e proporções, não sabem ler tabelas de dupla entrada, mapas e gráficos.

A realidade é que pelo menos 74% dos brasileiros entre 15 a 64 anos encontram dificuldades em compreender textos complexos de finanças, fazer cálculos elaborados e analogias sofisticadas.

Além destas complicações, soma-se o fato de que grande parte da população acessa produtos e serviços financeiros pela primeira vez – é o caso das classes C, D e E. Tal combinação leva este consumidor às piores escolhas: ele não sabe que pode negociar valores, não imagina que existem opções melhores e não se sente no direito de questionar as ofertas, pois acredita que a empresa está lhe fazendo um favor. Sem contar a ansiedade deste consumidor em, finalmente, conquistar algo que sempre quis.

Com tantas barreiras, infelizmente é a parcela da população com menor renda que paga mais por produtos e serviços. Para complicar, os conteúdos disponíveis sobre finanças geralmente não levam em consideração as falhas na educação e não comunicam tanto quanto poderiam.

Dentro deste contexto, existem alguns problemas e desafios centrais:

  • Falta formação básica.

O desafio: reduzir esse gap de forma rápida.

 

  • Os chefes de família de hoje têm melhor educação que os pais.

O desafio: Passar informações que deveriam ter sido ensinadas em casa.

 

  • O acesso a crédito é recente e o consumo serve como status social.

O desafio: Tornar a educação financeira tão atraente quanto as ofertas de consumo.

 

  • Grande parte da população acessa diferentes produtos pela primeira vez.

O desafio: Ensinar em larga escala.

 

Com a missão de levar informações sobre finanças a esta parcela da população, a Konkero foi criada em março de 2012. O portal www.konkero.com.br é a base do projeto e pretende ajudar os 60% da classe C que já está na internet – ou seja, cerca de 38 milhões de pessoas.

Durante o desenvolvimento do projeto, pesquisas qualitativas foram feitas e comprovaram a necessidade de uma consultoria financeira para a população com menor renda. Segundo o levantamento feito em maio de 2012, comprar um carro e/ou uma casa, fazer uma viagem e pagar a faculdade estão na lista de desejos da classe C. Mas, apesar do aumento da renda mensal e do acesso à internet, esse consumidor ainda tem dificuldade para administrar as contas do dia a dia e fazer planos que envolvem um investimento de alto valor.

Na tentativa de suprir esta lacuna, o site da Konkero é estruturado por meio de conquistas que o usuário deseja alcançar, como comprar uma casa ou carro, fazer faculdade, aprender idiomas, viajar, pagar dívidas, ganhar mais ou gastar melhor. A maioria dos objetivos é de consumo, justamente para atrair os usuários pelo desejo da conquista. O conteúdo é escrito com linguagem simples e direta, trazendo informações com aplicação prática. E, como o usuário precisará de disciplina, aprender sobre finanças será o meio para alcançar seu objetivo.

Melhorar a educação financeira no Brasil permitirá que famílias façam o dinheiro render mais e, consequentemente, consumam mais. Além disso, entendendo melhor os conceitos sobre finanças, essa parcela da população tenderá a usar mais produtos e serviços financeiros, gerando benefícios para todos.

Guilherme de Almeida Prado é o diretor-geral da Konkero, empresa de impacto social voltada para ajudar as classes C e D em suas finanças.

URL amigável: 
  • Managing Partners

    William Davidson Institute
  • Content Partners

    AVINA
  • Sponsoring Partner

    Citi Foundation

Facebook Twitter

Story Snapshot

Cerrar