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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Moçambique: investimento de impacto pode ser a resposta para o agronegócio?

por Iulia Sandu

Moçambique tem atraído cada vez mais interesse e investimentos, tanto tradicional quanto de impacto. O evento Mozambique Investment Forum, sediado pela capital Maputo em outubro de 2012, divulgou o país como a potência econômica emergente da África.

Entretanto, investimentos estrangeiros ainda enfrentam um ambiente de negócios desafiador por ali. Os passos para registrar um fundo em Moçambique e o processo que uma empresa moçambicana deve enfrentar para receber recursos de um investidor não residente no país são bastante complicados, por exemplo. Além disso, relatórios internacionais recentes podem aumentar a relutância dos investidores em considerar Moçambique. O Índice de Desenvolvimento Humano de 2011 das Nações Unidas coloca o país na 184ª posição, à frente apenas de Burundi, Nigéria e República Democrática do Congo. Apesar de Moçambique ter demonstrado crescimento econômico consistente nos últimos anos, 60% da população permanece abaixo da linha da pobreza (US$ 1,25 por dia). O Ranking de Percepção da Corrupção 2012 da Transparência Internacional posiciona Moçambique como 123º, num total de 176 países. E o relatório Doing Business 2013 do Banco Mundial aponta Moçambique como 146º no ranking global.

A proteção ao investidor em Moçambique também continua fraca, além de ser desnecessariamente difícil abrir ou fechar um negócio e ter acesso a financiamento. O governo local deve manter o foco em melhorar a qualidade de vida dos moçambicanos, incluindo crescentes oportunidades econômicas e um ambiente de negócios mais confiável.

Mesmo com todas as dificuldades, um dos setores com maior potencial de crescimento é o agronegócio. Moçambique é o 35º maior país do mundo. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas de Moçambique, 45% do território é constituído de terra arável, mas apenas 10% é utilizado atualmente. Cerca de 80% da população de quase 24 milhões de pessoas trabalha ou depende do setor agrícola, que é majoritariamente tradicional e de baixo rendimento. Um aumento na produção agrícola poderia, como consequência, reduzir significantemente a pobreza no país.

As políticas públicas para a safra de 2012-2013 projetam um crescimento de 9,1% na produção agrícola. Isso parece possível, pois em 2012 a inflação em Moçambique foi negativa, a moeda local se manteve estável em relação ao dólar e o PIB estimado para o segundo trimestre de 2012 foi 8% maior em relação ao mesmo período de 2011. O setor agrícola do país teve um crescimento estimado de 6,8% no segundo trimestre de 2012, em relação ao mesmo período do ano anterior, e o governo acabou de aprovar o Plano Nacional de Investimento no Setor Agrícola para os próximos cinco anos, com cerca de US$ 4 bilhões.

Esse cenário tem atraído maior interesse dos investidores de impacto. Muitos estão preenchendo a lacuna de financiamento existente em países em desenvolvimento, oferecendo recursos a empresas iniciantes e de médio porte com bom histórico (ou, como dizemos no Brasil, nome limpo). Muitas vezes, os recursos são repassados aos empreendimentos sem a cobrança de taxas de juros mais altas (devido ao possível maior risco) em relação às praticadas localmente.

Em Moçambique, ciclos irregulares de chuvas, pouco uso de tecnologias agrárias, pobre infraestrutura de transporte, alta volatilidade dos preços das commodities, acesso limitado a mercados e pouco investimento em pequenos e médios agronegócios são algumas das causas da baixa produtividade agrária. Investidores de impacto, como a Grassroots Business Fund (GBF), estão trabalhando com os empresários para enfrentar esses desafios, o que lhes permitirá expandir seus negócios e permanecer fiel a seus objetivos originais.

A GBF, por exemplo, oferece a empresas na África, Ásia e América Latina capital de investimento de longo prazo e consultoria empresarial. Os investimentos variam de US$ 500 mil a US$ 2 milhões. Nós acreditamos que o diferencial da GBF em relação aos outros investidores é que trabalhamos diretamente com os empresários, oferecendo capacitação em diversas áreas fundamentais para os negócios, como gestão financeira, cadeia de suprimentos e operações, planejamento estratégico, governança e aspectos ambientais e sociais.   

Atualmente, o escritório regional da GBF em Nairobi, Quênia, trabalha com seis empresas com as quais se comprometeu investir 6,5 milhões de dólares em capital. Destes, dois terços estão no agronegócio e o restante em serviços móveis, financiamento de pequenas e médias empresas, produção artesanal e energia solar. No início deste ano, a GBF fez seu primeiro investimento em Moçambique, apoiando uma empresa que foi criada com a visão de unir pequenos agricultores na África aos mercados locais, regionais e internacionais. A empresa tem como objetivo agregar valor na cadeia de oferta de produtos agrícolas, oferecendo a 1.500 pequenos agricultores melhores insumos, condições de crédito, logística e de mercados.

Embora os investimentos estrangeiros, especialmente no agronegócio, enfrentem desafios contínuos, estes são superados pelo significativo potencial de crescimento econômico e social que as empresas moçambicanas têm cada vez mais demonstrado. Como conseqüência, investidores como a GBF estão começando a explorar as oportunidades de investimento de impacto em Moçambique. Isso cria uma tendência positiva para outros investidores e para o governo, além de ajudar a criar um ambiente de negócios propício para o desenvolvimento do setor agrícola em Moçambique.

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