<%=NBResource_01_01 %>

Entrevistas com quem impulsiona os negócios sociais e inclusivos, resenhas sobre o desenvolvimento dos negócios que reduzem a pobreza.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Projeto de Valor Compartilhado impacta positivamente agricultores do Brasil

por Gabriel Sánchez Campbell

* Modelo de parceria une atuação da iniciativa privada, organização de desenvolvimento internacional  e investidor local para beneficiar os produtores em áreas remotas do Brasil

*Piloto promove estabelecimento de plantações de palmito de pupunha como nova fonte de renda para os produtores e matérias-primas para a indústria brasileira


Pela primeira vez no Brasil, ao sul do estado da Bahia, três organizações se uniram para implementar um projeto de desenvolvimento econômico que está impactando positivamente a vida de 60  produtores que vivem em assentamentos criados após reforma agrária.

~~~

Os produtores atendidos plantam palmito de pupunha e o vendem à Inaceres, uma empresa brasileira líder no processamento e comercialização desse produto para o mercado brasileiro. O Instituto Ventura (organização brasileira que promove o desenvolvimento de negócios ambientalmente sustentáveis) facilita o acesso ao crédito para os agricultores, e a TechnoServe (organização internacional sem fins lucrativos, líder do movimento global de desenvolvimento econômico) coordena os esforços para que todos os envolvidos obtenham benefícios.

Projeto e Modelo

O projeto piloto de dois anos, que leva a colheita de palmito de pupunha para o processamento, está criando valor compartilhado já mudou a maneira como uma empresa brasileira integra na cadeia de valor aos produtores de comunidades pobres.

Atualmente o piloto é executado entre produtores de dois assentamentos que têm um baixo nível de escolaridade e famílias com uma média de cinco pessoas cuja renda combinada mal alcança US $ 300 ao mês. Em média, cada produtor têm cerca de 16 hectares de terra, dos quais apenas 10 podem ser cultivados. O restante é área da protegida da Mata Atlântica, um dos ecossistemas mais desmatados do mundo.

Tradicionalmente os agricultores estão envolvidos na produção de cacau e látex das seringueiras, que vendem a intermediários que pagam pouco pela colheita. Por restrições ambientais, estes agricultores não podem plantar qualquer outra cultura e, geralmente, as outras culturas adequadas levam mais de oito anos para a colheita. No entanto, a plantação de palmito do tipo Bactric Gasipaes Kunth, que cresce mais rápido do que outras culturas tornou-se uma alternativa à pobreza.

Os papéis

A Inaceres, empresa comprometida com o meio ambiente, fornece assessoria técnica para treinar diretamente os produtores. Os produtores estão aprendendo a colher de acordo com os padrões da empresa compradora de suas colheitas, a um preço justo e transparente, durante todo o ano: um modelo de comercialização completamente novo para os pequenos produtores.

O Instituto Ventura oferece financiamento para que os agricultores tenham acesso à crédito, que para a maioria seria impossível por suas caraterísticas de pequeno porte. E a TechnoServe é responsável de coordenar e realizar os processos de formação para todos de acordo com seu modelo internacional de desenvolvimento econômico.

Sinergia e alternativa para reduzir a imigração

"Realmente foi importante desenvolver este modelo de criação de valor compartilhado em que a empresa privada beneficia a comunidade. Todos os atores estão satisfeitos de como a sinergia criativa pode melhorar a cadeia de valor e impactar positivamente a vida das pessoas", diz Deborah Aragão, coordenadora do projeto da TechnoServe, Brasil.

Rachael Botelho, gerente de projetos do Instituto Ventura, destaca que os produtores têm um alto nível de satisfação com o projeto e gostariam que, em uma segunda fase, os benefícios econômicos pudessem ser estendidos aos seus filhos demais familiares.

"Ter uma empresa âncora, responsável por facilitar o acesso ao mercado para os pequenos produtores e ter o apoio de uma organização internacional para apoiar a coordenação é algo que gostaríamos de testar em outros setores econômicos", diz Botelho.

Ricardo Araújo Ribeiral, diretor da Inaceres, diz que este projeto faz parte da estratégia de crescimento da empresa, que pretende estender o modelo à outros agricultores, garantindo matéria-prima de qualidade para a indústria. Destaca a importância de trabalhar como setor privado transmitindo conhecimento aos produtores: "Inaceres impulsiona este projeto porque é consciente do papel da iniciativa privada para mudar seu ambiente. A TechnoServe tem desempenhado um papel decisivo nessa relação", diz ele.

O Impacto

O cultivo de palmito pupunha gerará renda na metade do tempo que outros cultivos levariam para crescer, diz Deborah Aragão, da TechnoServe Brasil. "Os produtores, pela primeira vez, estão recebendo assessoria técnica e empresarial para aprender o manejo da cultura, e ao mesmo tempo proteger o meio ambiente", agrega.

"Eles estão tendo acesso à financiamento e a um mercado estável e em crescimento no qual podem vender seu produto a um preço justo e transparente. Depois de cinco anos, com o cultivo de apenas um hectare, a renda adicional gerada será de cerca de US$ 400 por mês por família, o que significará uma mudança radical em suas vidas. O benefício econômico gerado pelo cultivo de palmito de pupunha é constante durante todo o ano, diferentemente de outras culturas tradicionais da região", relata.


Quem se beneficia?

Antonia Leite dos Santos, uma pequena produtora já melhorou seu sistema de plantio. Em outubro do ano passado ela comercializou sua primeira colheita, e com o dinheiro extra que começa a receber, está tornando seu sonho em realidade: Remodelar sua cozinha e comprar um forno moderno para cozinhar para seus filhos e netos.

Por seu tamanho e condições, é tradicionalmente difícil para estes produtores terem aprovações de crédito, mas através do Instituto Ventura receberam US$ 5,400 dólares de empréstimo para o estabelecimento de cada hectare de palmito, com uma taxa básica de juros de 6,25% anual, para pagar em cinco anos.

Reduzir a migração das zonas rurais para as urbanas

Hemerson de Oliveira dos Santos havia imigrado para São Paulo porque em sua comunidade mal conseguia ganhar dinheiro suficiente para alimentar sua família. Ele voltou, contou com a presença do projeto e agora está começando a ver as mudanças. "Pela primeira vez aprendi a plantar, a cuidar de uma plantação, e como colhê-la", comenta. "E eu tenho um crédito", diz ele. Agora diz que está feliz por estar de volta, estabelecendo sua própria família perto de seus pais.

"Uma das coisas mais importantes é que eu tenho um comprador certo", diz Oliveira. E com o dinheiro que está ganhando, tendo começado a sua colheita em outubro, começou a pagar sua dívida e custos de construção de sua nova casa. Para o futuro deseja comprar um meio de transporte - uma moto talvez - e possivelmente expandirá sua área de plantio.

URL amigável: 
  • Managing Partners

    William Davidson Institute
  • Content Partners

    AVINA
  • Sponsoring Partner

    Citi Foundation

Facebook Twitter

Story Snapshot

Cerrar