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terça-feira, 3 de abril de 2012

Berlim e a indústria criativa

por Jacqueline Liao

Berlim é uma cidade muito diferente das demais capitais europeias. Ela está bem longe de ser uma grande metrópole contemporânea - o centro financeiro da Alemanha é Frankfurt, a região mais rica do país é a Bavária, no sul. Berlin é o contrário de tudo isso: é uma cidade relativamente pobre, umas das capitais européias com o menor custo de vida.

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Após a queda do Muro, em 1989, a cidade começou a entrar em decadência com o colapso das fábricas do lado Oriental e das empresas do lado Ocidental, recebendo altos investimentos governamentais, o que só aumentou sua dívida pública. Porém, Berlim é também uma cidade dinâmica. A mistura dos passados comunista e capitalista trouxe uma atmosfera cosmopolita, tolerante e aberta a todas as ideias - ela foi considerada em 2005 a cidade do design segundo a UNESCO e ao mesmo tempo ainda conserva graffitis dos trechos remanescentes do Muro na East Side Gallery.

Esse ambiente fez com que Berlin se reinventasse por meio da indústria criativa, um setor que vem ganhando grande impulso graças à intensa vida cultural, à relativamente elevada população jovem (23,2%) e à diversidade cultural - dos 3,5 milhões de habitantes, meio milhão são estrangeiros. Atualmente, há cerca de 22.600 organizações, a maioria de pequeno ou médio porte, nesse setor que inclui tecnologia, mídia, arte, design etc.

Obviamente, muito foi canalizado para o empreendedorismo social. Um exemplo é a PLURAL Media Services, criada por Klaas Glenewinkel. Anteriormente, Glenewinkel já havia fundado a MICT (Media in Cooperation and Transition), ONG que treina jornalistas e mídias independentes em zonas pós-conflito, de modo que estes não fiquem dependentes de partidos políticos, governos ou grupos religiosos. Percebendo que uma das grandes dificuldades dessas mídias era de sustentar-se financeiramente, ele criou um negócio social, a PLURAL, que, aproveitando a rede da MICT, treina jornalistas para que eles sejam media managers e assim conheçam e aproveitem o potencial publicitário de seu negócio.

Muitos outros negócios sociais estão por vir. Existe uma consciência entre os formuladores de políticas públicas da importância da indústria criativa, por isso o suporte a organizações desse setor, o apoio a eventos e projetos culturais e a preocupação em conectar diversos grupos de interesse, como pequenos empresários de indústrias distintas, artistas e governo. Em 2007, o Senado aprovou um programa que facilita a concessão de microcrédito do Banco de Investimentos de Berlim (IBB) para pequenas empresas da indústria criativa. Em poucos anos, a capital alemã, antes apenas um marco da Guerra Fria, tornou-se referência em inovação e empreendedorismo.

Todo esse movimento em Berlin é reflexo claro da atenção que a Alemanha como um todo tem dado ao tema dos negócios sociais. Em novembro de 2011 aconteceu o Fórum de Negócios Sociais da Alemanha, promovido entre o Grameen Creative Lab e o próprio Muhammad Yunus, com foco em incentivar o diálogo e a articulação entre líderes da sociedade civil organizada, governo, setor privado.

Uma das iniciativas citadas durante o Fórum foi a Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), organização que promove o empreendedorismo dirigido para a redução da pobreza, tendo como principal foco o relacionamento com o governo Alemão em prol de políticas de cooperação internacional assertivas. Vale muito explorar o conceitos pelos quais a GIZ trabalha, além de ficar de olho nas inovações no campo social que estão surgindo Alemanha afora.

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