Dia 1º de dezembro as portas se abriram para as inscrições no Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos. O Desafio não oferece prêmios em dinheiro aos vencedores; seu valore está em abrir as portas de oportunidades para negócios com modelos de atuação com foco na Base da Pirâmide (BdP).

Para mais detalhes sobre o Desafio, recentemente conversei com Andria Thomas, gerente de projetos na Dalberg no escritório de Washington, D.C. e membro da Strategy&Performance Practice. Ela é consultora em diversas fundações, ONGs, corporações, organizações multilaterais e agências governamentais em áreas de estratégia, inovação, planos de negócios e mudança organizacional, e está ajudando a coordenar o Desafio G20.

NextBillion (NB): Como você sabe, existem muitas competições de modelos de negócios e planos de negócios no âmbito social; como o Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos destingue-se em meio aos outros?

Andria Thomas (AT): O que separa o Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos dos outros que existem é que este é focado em modelos provados que já tenham posto suas idéias em prática por anos e já tenham criado resultados de desenvolvimento. A maioria das competições que nós revisamos procura por novas ideias. O Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos é diferente de duas maneiras: 1) por segmentar os negócios inclusivos em vez de organizações sem fins lucrativos ou negócios não relacionados ao desenvolvimento, e 2) por procurar negócios que tenham provado seus modelos em vez de aqueles em estágios iniciais ou de start-up.

NB: Quais tipos de companhias são mais prováveis que obtenham sucesso nesta competição?

AT: Companhias de sucesso precisarão mostrar que são financeiramente sustentáveis e acima dos riscos sociais e ambientais aos quais estão suscetíveis. Mas o que realmente definirá os ganhadores serão três fatores: como seu modelo está integrando a BdP em sua cadeia de valor, os resultados de desenvolvimento que estão alcançando, e o maior de todos: o potencial para o modelo ser escalado e replicado. Os modelos vencedores terão potencial para serem bem sucedidos em outros mercados ou outros setores - o objetivo é crescer o número de negócios inclusivos ao redor do mundo.

Além disso, não são apenas os vencedores podem ser bem sucedidos neste Desafio. Todos os inscritos terão acesso a uma seção exclusiva aos inscritos no site do Desafio, G20Challenge.com, onde eles poderão fazer conexões que não seriam possíveis off-line, geograficamente falando. Posso imaginar algumas colaborações resultantes sendo muito bem sucedidas mesmo para as companhias que não ganharem o reconhecimento do G20. As companhias que tirarem maior proveito deste acesso serão aquelas mais ansiosas a engajarem-se junto aos seus pares e verdadeiramente desenvolverem uma comunidade dos negócios inclusivos.


NB: O site menciona que os ganhadores serão selecionados através de critérios baseados em inovação, resultados de desenvolvimento, sustentabilidade financeira, potencial para crescimento/replicação, etc. Estou curioso para saber se algum dado de avaliação de impacto vindo de fora, mostrando a efetividade do modelo de uma companhia em particular, é requerido ou mesmo encorajado?

AT: Dado de avaliação de impacto vindo de fora com certeza é encorajado, mas nós entendemos que talvez não seja possível para todos os negócios que gostariam de se inscrever, portanto, não é requerido. Os negócios que tiverem dados de avaliação de impacto podem usa-los e citar a informação durante a inscrição, quando for responder as questões sobre impacto e alcance na BdP. Outros podem disponibilizar sua própria métrica; o Desafio requere sim que os negócios disponibilizem alguma evidência do acompanhamento de seus resultados no desenvolvimento ao longo do tempo, seja a informação gerada internamente ou por terceiros.

NB: Existem realmente dois aspectos chave para o Desafio: o processo de submeter a inscrição e os prêmios, claro; mas então os vencedores serão reunidos em uma série de workshops regionais. Como estes workshops funcionarão e qual o objetivo?

AT: O primeiro nesta série de workshops serão sediados em Frankfurt após o G20 Summit, em junho de 2012, onde os vencedores do Desafio serão anunciados. O objetivo desta série de workshops é que os vencedores possam se reunir para discutirem seus desafios na expansão e replicação dos negócios em novos mercados. Investidores serão um dos muitos grupos convidados aos workshops, então eles poderão ser parte de uma rede de solução de problemas. Com tantos líderes reunidos abordando o mesmo tema, os workshops será um fórum efetivo na construção de relacionamentos nos negócios inclusivos e colaborando nos problemas em comum encontrados pelos negócios quando integrando a BdP em sua cadeia de valor. IFC, que está gerenciando o Desafio G20, tem tido sucesso similar com seu anual Inclusive Business Leader Forum, em Washington, DC, onde conexões B2B (business to business) foram criadas.

NB: Quem são os jurados para esta competição, qual o histórico deles?

AT: O painel de jurados incluirá representantes do setor privado, academia, organizações internacionais e o G20. Seleções finais para painel de jurados ainda estão sendo feitas até o final deste mês, mas eles tem históricos na intersecção entre negócios e desenvolvimento.

NB: Quanto os vencedores receberão em prêmios em dinheiro e esses fundos serão alocados com um propósito específico em mente, em termos de expansão de operações?

AT: O prêmio do Desafio não é monetário - o prêmio é acessar novas parcerias e entrar em comunidades de negócios globais. Vencedores receberão algo que o dinheiro não pode comprar: reconhecimento do grupo do G20, o primeiro fórum para desenvolvimento da economia internacional; um destaque no próximo G20 Summit no México, em junho; e acesso a uma rede de fellows vencedores em workshops organizados e com o suporte do G20.

NB: Como, se for o caso, o Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos difere da competição G20 SME Finance Challenge?

AT: O Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos é o primeiro deste tipo, uma competição separada da competição G20 SME Finance Challenge que aconteceu ano passado. Uma diferença chave é o setor de onde vem os participantes: os inscritos para a SME Finance Challenge do ano passado eram em sua maioria de instituições financeiras privadas, investidores socialmente responsáveis, fundações e organizações da sociedade civil. Para o Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos o foco está em negócios no "setor real" que trabalha com pessoas na BdP como fornecedores, distribuidores, varejistas e consumidores. Por exemplo, pode incluir agronegócios, companhias educacionais, provedores de saúde e mais. Independentemente do setor, todos os inscritos terão provado seus modelos de negócios, como sendo sustentáveis financeiramente ao mesmo tempo em que criando resultados de desenvolvimento através de seu envolvimento com as pessoas da BdP.

A segunda diferença é que os vencedores do Desafio G20 de Inovação em Negócios Inclusivos receberão reconhecimento global e acesso a uma rede de fellows vencedores nos workshops do G20 que seguirão o G20 Summit no México, em junho de 2012. Ao contrário do SME Finance Challenge, o foco não está em receber prêmios financeiros.

NB: As inscrições começaram dia 1º de dezembro. Você pode prover uma visão geral do processo de competição de agora em diante?

AT: O primeiro passo para inscrever-se, não importando quando você comece, é submeter um formulário de pré-inscrição, compartilhando algumas informações preliminares e verificando que seu negócio é elegível. Se a elegibilidade for confirmada, você receberá acesso à inscrição total, que poderá ser submetida a qualquer momento antes do dia 20 de fevereiro de 2012 às 11:59PM EST.

As inscrições serão avaliadas durante os meses de março, abril e maio, e então os vencedores poderão ser anunciados em junho de 2012, durante o G20 Leaders Summit, no México. Este encontro representará a oportunidade para cada negócio vencedor de ser reconhecido antes de uma audiência global.

Nota da Editora: Scott Anderson é editor do NextBillion.net e realizou esta entrevista para que as informações pudessem ser divulgadas na Rede de sites NextBillion. 

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