Dezembro 7, 2011 — 10:10
Desenvolvedores e Investidores, pela ótica do Mapeamento dos NS/NI no Brasil
O terceiro artigo sobre o mapeamento do campo de negócios sociais e negócios inclusivos no Brasil apresenta um resumo dos resultados referentes aos desenvolvedores (incubadoras e aceleradoras) e investidores que apoiam esse tipo de negócio.
A primeira fase do estudo (para saber mais, leia artigo de Renata Bourroul) identificou 60 incubadoras, 24 aceleradoras e 15 investidores que já apoiaram negócios cuja atividade principal beneficia pessoas da base da pirâmide brasileira. Nos três grupos houve a maior concentração na região Sudeste (35% das incubadoras, 79% das aceleradoras e 73% dos investidores). A região com segunda maior concentração nas três categorias foi o Nordeste (28%, 17% e 13%). A contribuição da região Nordeste foi importante por que, como explica a Anna Romanelli da Fundação AVINA: "O que nos motivou a realizar este mapeamento foi de conhecer o setor do Brasil e ampliar a atuação para outras regiões além do sudeste."
Na segunda fase do mapeamento foram definidas amostras de 40 desenvolvedores e 14 investidores para análises mais aprofundadas (para saber mais, leia artigo de Vivianne Naigeborin). Perguntadas sobre preferência para setor de atuação dos negócios, ambas as categorias colocaram a educação no primeiro lugar, seguida por agricultura e tecnologia da informação e comunicação. Ao mesmo tempo, é interessante observar que os dois públicos estão abertos para trabalhar com negócios de várias áreas diferentes (mais de seis na média).
Os 40 desenvolvedores da amostra prestam diversos serviços de apoio, oferecendo, na média, mais de seis tipos de apoio. Entre os mais comuns são cursos e treinamentos (93%), consultoria estratégica (78%), consultoria em gestão e inclusão em redes de contato (ambos 73%). Porém, como aponta a Vivianne Naigeborin, da Potencia Ventures: "Perguntados sobre o serviço que oferecem, 50% dos desenvolvedores afirmaram que não estabelecem um tempo predeterminado de apoio aos negócios nem para o vínculo formal nem para o informal (depois do encerramento do apoio)."
Na seleção dos negócios que receberão apoio, tanto os desenvolvedores quanto os investidores colocam o impacto social e o perfil do empreendedor entre os fatores mais importantes. Entre os 14 investidores, seis identificaram o impacto social como principal critério de decisão. Mais da metade dos desenvolvedores entrevistados citaram esse fator como importante.
Os investidores utilizam - na média - 2 tipos de investimento para alavancar o crescimento dos negócios. As formas mais comuns são doações (sete investidores), participação com capital semente (6) e participação com venture capital (5). O valor médio dos investimentos é bastante variado, com dois investidores oferecendo até 100 mil reais e outros dois oferecendo mais de 5 milhões.
Além de apresentar um retrato da situação atual, o mapeamento mostra pistas interessantes para o possível desenvolvimento do campo no futuro. Por exemplo, 6 dos 14 investidores esperam que haja mais recursos disponíveis do que negócios para investir nos próximos dois anos. É interessante comparar esse dado com os resultados da categoria de negócios, onde 48% tem a expectativa de levantar mais de R$1 milhão de investimento nos próximos 3 anos. Esses negócios não se adequam aos critérios dos investidores? Ou os próprios investidores não estão conseguindo identificar os negócios com necessidade de receber investimento?
O segmento dos desenvolvedores também oferece oportunidades interessantes. "O mapeamento identificou somente uma aceleradora no Brasil, exclusivamente focada no desenvolvimento de negócios que servem a baixa renda, " aponta Naigeborin.
Para Romanelli, os resultados têm um significado maior ainda. "Entendemos que a postura de investidores dispostos a investir no setor de negócios inclusivos/sociais, e o surgimento de fundos exclusivamente com este propósito, são ferramentas-chave para a mudança de cultura da população e o fortalecimento do setor no país."
O relatório do mapeamento, categorias desenvolvedores e investidores, está disponível aqui, em português. O relatório das categorias negócios, desenvolvedores e investidores em inglês está disponível aqui.
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