Setembro 13, 2011 — 8:50
Conheça o "International Development Design Summit" (parte II)
No primeiro artigo desta série que fala sobre o International Development Design Summit (IDDS), contamos um pouco sobre a história e sobre o desenvolvimento da metodologia utilizada neste programa. Hoje, queremos compartilhar com vocês leitores, um pouquinho da experiência de duas brasileiras que, assim como o Miguel, puderam participar do IDDS este ano, em Gana.
Carla Tennenbaum (à esquerda na foto, com seu grupo de trabalho) é formada em História pela Universidade de São Paulo (USP), mas também estudou design de objetos com designers brasileiros, sendo co-fundadora do grupo notechdesign, de 2001. Ela trabalha com arte e facilitação criativa. Carla foi fellow da Artemisia Negócios Sociais e da International Youth Foundation.
"Eu participei das edições do IDDS de 2009, 2010 e 2011. Este último, como organizadora. Também colaborei com o projeto Weaving Culture, focado no artesanato têxtil tradicional de Gana. Nós estudamos o processo de fabricação do Kente, um tecido local carregado de valor e significados culturais, e desenvolvemos um tear de brinquedo voltado para as crianças de Gana, para estimular a propagação do interesse pelo artesanato e cultura local entre as novas gerações."
Carla participou do grupo que desenvolveu o projeto para aumento de produtividade para artesãos. Para isso, o grupo desenvolveu à partir de um modelo tradicionalmente utilizado pelos artesãos da comunidade, uma nova versão do Kente weaving method, utilizado para o trabalho têxtil, na confecção de tramas de tecidos. Porém, este novo modelo foi voltado especialmente para o manuseio por crianças, a fim de quem aprendessem novas habilidades e entrassem em contato com seus valores culturais, como se fosse uma brincadeira.
Mariana Negrão é formada em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo (USP) e trabalha no desenvolvimento de equipamentos médicos. Ela conheceu o D-Lab em 2008, em um projeto da faculdade em parceria com o MIT e desde então só cresceu seu interesse na área da engenharia biomédica.
"Esse foi meu segundo IDDS, participei também do IDDS 2008 em Boston. Em 2008 meu projeto era uma incubadora neonatal de baixo custo. A minha experiência em Gana foi incrível. Hoje consigo ver a diferença que faz ter contato com a população antes do desenvolvimento do produto, e como a participação da comunidade no desenvolvimento pode ser produtiva".
Este ano, o tema de seu grupo foi Battery Charging. Em pesquisa, descobriram que 30% da população de Gana não tinha acesso à energia elétrica da rede, mesmo tendo sinal de telefonia celular em suas vilas. A solução encontrada, após enfrentarem problemas como rede de energia elétrica instável ou o alto preço pago para carregar seus aparelhos em outras vilas (comparado ao preço pago por uma refeição), foi construírem um adaptador eficiente.
"Foi na vila de Assampu que conhecemos Christina. Ela gasta 5 vezes mais carregando seu celular do que com créditos de celulares. Isso é real para muita gente nessas vilas. O adaptador é bem simples, embora não seja óbvio para alguém que não tem contato nenhum com dispositivos eletrônicos. Mas a grande sacada do nosso projeto foi estimar a viabilidade de alguém abrir um negócio de carregar baterias nas vilas. É possível que se pague o investimento de uma bateria em 2 meses".
Mariana nos contou que em Assampu, enquanto explicava sobre o projeto embaixo de uma árvore, um dos homens, Donkor, ouviu atentamente e fez várias perguntas. Ele entendeu todos os cálculos do negócio e parecia muito interessado. Poucas horas depois, ele apareceu com um protótipo que ele mesmo desenvolveu. Usando suas próprias ferramentas e materiais.
"Isso pra mim foi o ponto alto do IDDS inteiro. Toda essa teoria de co-criação e creative capacity building se concretizaram no protótipo do Donkor", diz ela. Confira aqui mais fotos deste projeto.
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Débora Lorenzoni, da Artemisia Negócios Sociais, nos deu uma ótima notícia: "Em 2012, o IDDS seguirá os mesmos princípios e objetivos, mas com uma inovação: será realizado regionalmente, em 3 diferentes países. E a boa notícia é que um deles é o Brasil, ao lado de Índia e Zambia. No Brasil, o evento está sendo planejado e organizado pelos ex-participantes já demonstrados neste artigo, em parceria com organizações das quais fazem parte a Artemisia Negócios Sociais e a AUIRE".
Para a Artemisia, organização pioneira em negócios sociais, é muito interessante se envolver em um evento que desenvolve tecnologias para a base de pirâmide. "Acreditamos que há muitas soluções simples que podem melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, e que a tecnologia e o design são essenciais para muitas delas", afirma Maure Pessanha, diretora executiva da organização.
As inscrições para a edição 2012 do IDDS devem abrir somente em janeiro ou fevereiro do ano que vem. Quando a hora chegar, o Next Billion Brasil trará a informação completa. Fiquem atentos!
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