"Processar e sintetizar uma grande quantidade de informação da sua pesquisa é um passo essencial em processos de design para impacto social." Com essa introdução, 3 organizações compartilharam suas metodologias e aprendizados durante a conferência SOCAP, acontecendo em San Francisco, Califórnia.

Design for America é uma organização norte-americana que usa o design para criar impacto social local. Com exemplos de projetos em diversas áreas - como saúde infantil, conservação de água e moradores de rua - sua Diretora de Operações, Sami Nerenberg, apresentou um pouco da metodologia da organização. Cria equipes multidisciplinares dentro de sete universidades nos Estados Unidos, e as articula com representantes da comunidade local. Nerenberg explicou que a pergunta-chave de todo o processo é: "Qual é a menor mudança que podemos fazer para ter um grande impacto?" Isso significa definir interações de perguntas e respostas cada vez mais precisas para chegar numa necessidade muito específica a ser atendida. "Se você começa já a sugerir soluções, provavelmente, está respondendo à pergunta errada," avisou.

Design that matters oferece serviços de design para resolver problemas sociais na África e na Ásia. Sua Diretora de Desenvolvimento de Produtos - Elizabeth Johansen - apresentou um trabalho realizado no Vietnã, em que a organização buscou soluções para tratar bebês sofrendo de icterícia em áreas rurais. Depois de observar o funcionamento dos hospitais e conversar com médicos e enfermeiras, decidiu focar-se em desenvolver um produto robusto e simples, que permita que o bebê ficasse perto da sua mãe durante o tratamento, para uso em hospitais de pequeno porte. "O bebê precisa se alimentar com frequência, e pensávamos em algo que a mãe pudesse carregar," explicou Johansen. "Mas percebemos que não seria prático, porque o tratamento acontece em ciclos de 5 horas, e uma mãe não dá conta de segurar o peso durante tanto tempo, tão logo depois do parto." A equipe decidiu também focar apenas em crianças que não tivessem outros problemas médicos, além da icterícia. Esses teriam que ser encaminhados para hospitais maiores. "É importante definir claramente qual problema você vai atender, e também quais não," completou Johansen.

O chinês Jianling Zhong acaba de voltar da África do Sul, onde participou de um programa da organização ThinkImpact. Junto com outros 21 universitários, passou 8 semanas dentro de uma comunidade sul-africana, desenvolvendo soluções para os desafios enfrentados pelas pessoas locais. "Criamos equipes junto com pessoas da comunidade. Observamos como as pessoas vivem no cotidiano," explicou o universitário do 2º ano. "Buscamos identificar quais ativos já existem dentro da comunidade, que possam ser aproveitados na resolução de seus desafios." Saul Garlick, CEO da organização, chama essa abordagem de 'ABCD' - 'Asset-Based Community Development'. Na sequência as equipes definem um desafio específico, criam possíveis produtos ou serviços, e escolhem um deles para prototipar e, por fim, vender à comunidade.

Zhong apresentou várias informações sobre a comunidade em que viveu, e convidou os participantes da oficina a trabalhar (inclusive, eu!). Em pequenos grupos tivemos que cruzar os ativos e as necessidades da comunidade para definir 10 possíveis perguntas a serem consideradas. Em 15 minutos, meu grupo conseguiu 6...

Voltando à experiência do Jianling: "Como melhorar a disponibilidade de água durante a estação seca para aumentar a produção agrícola?" foi a pergunta escolhida pelo grupo dele. "Os produtores têm muitas habilidades, mas quando não chove, eles não têm como cultivar," explicou. Em resposta, desenvolveram um sistema de caleiras para coletar a água da chuva, e uma caixa parcialmente enterrada para armazená-la. Colocaram plástico descartado nas paredes do tanque, e completaram com um pano para filtrar a água e prevenir a entrada de mosquitos. "Fizemos um protótipo e vendemos duas unidades antes de terminar o curso!" diz, orgulhoso, Jianling.

Olhando para suas listas de perguntas, os participantes da oficina não tiveram como não ficar impressionados com o desempenho de Jianling e seus colegas.