O International Development Design Summit (IDDS) é uma experiência intensa, envolvendo pessoas selecionadas de mais de vinte países, agregando suas experiências a fim de criarem tecnologias e iniciativas que melhorem a qualidade de vida de comunidades que vivem na pobreza. O IDDS é parte de uma revolução no design que visa encorajar, promover e construir mais pesquisa e recursos de desenvolvimento com foco nas necessidades de povos que vivem na pobreza mundo afora. A inspiração deste programa vem de modelos já existentes de inovação, design e empoderamento: co-criação, colaborações interdisciplinares e crowd sourcing.

Miguel Chaves* atua como organizador (e este ano como mentor de grupos) no IDDS desde o começo, em 2007. Ele nos explica que não é simplesmente uma experiência acadêmica, os participantes passam por vivência prática, tendo como objetivo principal o desenvolvimento de protótipos, permitindo que suas ideias possam ir além do plano das ideias. Entre os sessenta participantes, estão professores, estudantes, economistas, engenheiros, mecânicos, médicos, fazendeiros e membros das comunidades impactadas - que atuam diretamente dentro dos grupos. Esta riqueza de backgrouds permite que a inovação realmente aconteça. Todos os grupos de trabalho organizados para o desenvolvimento dos projetos são plurais e todos os componentes dos grupos ajudam na construção de soluções, de forma totalmente horizontal.

O primeiro IDDS aconteceu em 2007, tendo como base a ideia de que a interdisciplinaridade é o que faz a inovação: pessoas com diferentes experiências e vivências trabalhando juntas. Em 2008, o tema foi Creative Capacity Building: acreditando que qualquer pessoa tem potencial para criar tecnologias que tragam melhorias para suas vidas, gerando real processo de empoderamento, uma vez que cada um é um criador e não apenas um usuário. Pela primeira vez em Gana, em 2009 o programa e seus participantes puderam realmente trabalhar com os usuários finais das inovações. Foi aí que o senso de co-criação realmente ficou claro. Todos os participantes contaram com a hospitalidade da Universidade de Ciência e Tecnologia de KNUST e das pessoas que vivem nos vilarejos próximos.

2010, por sua vez, foi um passo ainda maior: o conceito e a prática já estavam bem aprimorados. Agora, o IDDS passa a encorajar a criação de empreendimentos que levassem as tecnologias diretamente para o campo. Cada um dos grupos de trabalho teve um líder responsável por estimular o processo de passagem do protótipo para o produto e do produto para um empreendimento. Porém, este ano o IDDS conseguiu progredir ainda mais em seu modelo e, além da criação de inovação tecnológica e protótipos, teve como foco principal o design de produtos em desenvolvimento e de empreendimentos que os disseminassem por meio de um modelo de negócio. Este modelo de negócio incluiu pesquisa no mercado base dos vilarejos, experiências de marketing, testes em campo, feedback do usuário e co-criação (a partir do que os usuários de cada comunidade trazia em resposta aos produtos).

Segundo Miguel, cada semana tem um processo específico dentro do todo. Para quem gostou do que leu no artigo Modelo de Negócio através do Design Thinking, o IDDS é um prato cheio! A 1ª semana objetiva integrar os 60 participantes e apresentar a eles o guarda-chuva de temas, com os quais cada um pode se engajar. Os temas abordam desde a redução da malária entre as crianças até o aumento da produtividade dos artesãos. Neste momento, começa o processo de captação de inspirações e desenvolvimento de um projeto, observando quais seriam os possíveis problemas a serem trabalhados.

Na 2ª semana acontece o estudo de campo, pesquisas, contato mais próximos às pessoas das comunidades que serão impactadas e a continuidade do processo de construção do indivíduo e do grupo. É a vivência, o contato e a observação abrindo espaço para a 3ª semana, quando acontece um processo de brainstorming e desenho dos primeiros protótipos. Nesta fase, a construção ainda é com materiais simples, como isopor e cartolina. É desta forma que os participantes tem o primeiro contato com as novas tecnologias.

Na 4ª semana é quando todo feedback é mensurado e tem então início o processo de busca pela produto final ideal, baseado em um modelo de negócio sustentável. Durante as quatro semanas, os participantes são encorajados a darem continuidade ao empreendimento que iniciaram no IDDS: seja aprimorando protótipos, desenvolvendo novos modelos de negócio ou mesmo empreendendo.

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*Miguel Chaves é engenheiro e apaixonado por conhecer pessoas de diferentes culturas e backgrounds, especialmente as que o coloquem em xeque ou o inspirem a pensar de forma diferente, especialmente em temas de empreendedorismo, inovação e impacto social. Almejando ser um empreendedor serial, idealizou e fundou algumas organizações, como o Solar Innovation Organization (uma empresa especializada em aquecedores solares de baixo custo com foco em comunidades carentes). Atualmente, ele é sócio em sua última inspiração, a consultoria de inovação CAOS Focado.

Nota da editora: este primeiro artigo lhes apresentou a estrutura e metodologia utilizada pelo IDDS. O segundo trará o relato de duas brasileiras que participaram da edição 2011, além de informações em primeira mão sobre a edição 2012, diretamente da Artemisia Negócios Sociais!